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Imagine uma casa como essa da foto, uma típica mansão de “suburb” americano, transformada numa imensa e discretíssima estufa onde se cultiva maconha com fins comerciais. E mais: imagine que dezenas – talvez centenas – de casas como essa estão formando uma grande rede ilegal de produção e distribuição da erva? Pois é o que anda acontecendo nos EUA, e a casa que você vê na fotos é, de fato, uma grande plantação de cannabis descoberta pela polícia.
Histórias como essa foram contadas na noite da última quinta-feira (18), no programa “Anderson Cooper 360 Graus”, da rede CNN, como parte da discussão sobre legalização da maconha que a emissora promoveu ao longo de toda a semana passada.
A equipe do programa visitou casas onde, ao invés de uma tradicional família norte-americana, há negócios de U$ 500.000 por ano crescendo nos quartos, garagens, ao lado da piscina. Pés de maconha de até dois metros de altura são cultivadas por pessoas que também moram nas casas, e se passam por famílias comuns ou grupos de estudantes dividindo uma república.

O uso de casas para esse fim não é novo nos EUA. Há até o caso conhecido de uma brasileira que viveu anos no país produzindo e vendendo maconha num subúrbio de Los Angeles, até ser presa e deportada. Mas, de acordo com a Secretaria de Combate às Drogas (DEA) do Departamento de Justiça dos EUA, a recessão econômica que tomou conta do país transformou o mercado imobiliário, principalmente na Califórnia e na Flórida, em um verdadeiro paraíso para traficantes. Eles compram as casas por preços irrisórios e as transformam em um pólos de produção da erva, em geral cultivada sob a forma de skunk, uma variação genética da maconha com alto potencial de THC e que pode ser cultivada em estufas, com uso de luz artificial.
Segundo o DEA, há uma grande dificuldade em identificar esses locais. A produção de skunk em estufas é tão discreta que, muitas vezes, nem os vizinhos percebem qualquer movimentação. Além disso, as casas não são usadas indefinidamente. Em geral, são abandonadas antes que possam despertar qualquer suspeita. Recentemente, porém, o departamento de narcóticos da polícia de Los Angeles começou a usar uma sistema de investigação baseado na conta de luz das casas. “As estufas articiais requerem uma iluminação potentíssima, que precisa ficar ligada muitas horas por dia. Isso gera um consumo de energia muito superior à média do que costuma gastar uma família média americana. Analisando estes disparates, temos conseguindo localizar e prender alguns produtores”, informa uma fonte ligada à polícia americana.
Ao longo de toda a semana, o ”Anderson Cooper 360 Graus” debateu em profundidade a legalização da maconha. Nos Estados Unidos, seu uso para fins terapêuticos é liberado em 13 estados. Com autorização médica, é possível adquirir a erva em uma farmácia. Na última quarta (17), a atração exibiu uma entrevista com Paul Stanford, dono de um escritório especializado em conduzir pacientes a médicos que recomendam o uso da Cannabis a seus pacientes.
Stanford afirma que seu escritório já ajudou 64.000 pacientes em oito estados. Além de atuar como intermediador, ele também planta – com autorização do governo – a erva. Com seu negócio, arrecada cerca U$ 3 milhões por ano. Ele defende a liberação total do uso da maconha. De acordo com seus próprios cálculos, o governo deixaria de gastar U$ 13 bilhões com programas de combate à droga e ainda arrecadaria U$ 7 bilhões com impostos. Parte deste dinheiro poderia ser investido com em programas de tratamento de problemas causadas pelo uso da droga, como já acontece com o álcool e o cigarro.
( * ): Rafael Oliveira é integrante do programa de estágio do Jornal O Globo
on Jul 8th, 2009 at 10:36 am
Não compre, plante!